21 abril 2020
As novas rotinas das escolas particulares de Marabá, em meio a pandemia do covid-19.
por Prof. Tadeu P. Pinheiro.
Com início da transmissão comunitária do covid-19 no Estado do Pará, a Prefeitura Municipal de Marabá suspendeu as aulas nas redes públicas e particulares, conforme o decreto municipal nº 22 de 18 de março de 2020. As escolas cientes de que a pandemia do covid-19 não seria algo passageiro, os gestores, coordenadores e professores começaram a busca por soluções para viabilizar o processo de ensino e aprendizado. Muitas escolas particulares da cidade em questão, já possuíam parcerias com sistemas de ensinos, que por sua vez, ofereciam plataformas e aplicativos educativos. Assim, com todo respaldo legal, iniciaram as novas rotinas escolares a distância.
Essa nova rotina afetou também a das famílias, principalmente dos alunos do ensino infantil e fundamental, que precisam de maior orientação tanto nas atividades como nas plataformas de ensinos e aplicativos. Alguns pais estão perdidos com essa transformação brusca. As escolas por sua vez, tentam orientar os tutores para uma adaptação a nova rotina, através de reuniões virtuais, tutoriais, lives e aplicativos de mensagens. A tecnologia é um ponto importante, mas as dificuldades do manejo com as ferramentas tecnológicas estão tirando o sono de muitos. Alguns já começam a se perguntar, “como os professores conseguem realizar as atividades com 20 a 40 crianças em uma sala de aula? Será que é justo o salário do professor do meu filho? ”.
Um exemplo da rotina de um aluno do 1° ano Fundamental I de escola privada.
• Professor posta as atividades na plataforma de ensino (geralmente envia via Whatsapp todas orientações).
•. Por meio do celular, tablets ou computadores, acessam o conteúdo, vídeos aulas, aulas ao vivo etc.
•. As famílias ajudam a criança na resolução de atividades.
• Os pais/responsáveis reenviam as atividades para serem corrigidas se caso for no livro ou caderno.
•. Se o professor detectar erros, faz correção, reenvia para o aluno, em que os encarregados auxiliarão os alunos na correção.
Todo esse processo está mudando a rotinas de todos, uma vez a parte familiar necessita continuar realizando suas atividades remunerativas para manutenção do lar. Ciente de que a parceria entre escola/família, sempre foi ativa e reciproca, antes de todo o momento do qual estamos vivendo, mais uma vez os centros educacionais absorvem responsabilidades que não são delas.
E para os professores, quais são os maiores desafios? Para você que leu a rotina das famílias, e acha que a do professor está mais “leve”, como pode-se imaginar, não está. Eles receberam a grande missão de manter o processo de ensino e aprendizagem durante a pandemia do covid-19, uma tarefa nada fácil. Isso sem entrar no mérito se aula EaD é melhor ou pior que a presencial.
Assim que foram suspensas as aulas presenciais, os professores perderam sua privacidade, seu direito ao descanso, o limite do trabalho e a casa, tudo se misturou. As escolas organizaram famílias, alunos e professores nos grupos de WhatsApp para orientações e até como ferramenta educacional. Mas, foi o fim das linhas limitantes do professor, pois há muitas famílias que entram em contato fora do horário de trabalho e até nos finais de semanas.
Os professores estão entrando numa fase tecnológica, sem tecnologia. Muitos não possuem as ferramentas necessárias para criar seus vídeos aulas, acessar as plataformas digitais etc. Para alguns faltam até o acesso à internet. Estão trabalhando em casa, muito mais que o tempo contratado pelas escolas. Por exemplo, um YouTuber trabalha 6 horas em média para apresentar um vídeo de 6 minutos tendo todas as ferramentas e auxiliares ajudando. Assim, imaginem o quanto estes profissionais estão trabalhando para colocar materiais nas plataformas digitais, gravar vídeos aulas, elaborar atividades etc. E ainda ter que responder a família qualquer horário do dia, 7 dias da semana. Então, o maior desafio para os docentes nessa pandemia do covid-19, é ter uma rotina saudável. Segundo Mario Sergio Cortella, “Faça o teu melhor, na condição que você tem, enquanto você não tem condições melhores, para fazer melhor ainda!”.
Mesmo assim, os professores estão se doando ao máximo, sacrificando sua privacidade, seu descanso, as vezes deixando sua família, para que o processo de ensino e aprendizagem tenha êxito. O ensino EaD nestas condições deixa todos exaustos e com saudades das salas de aulas presenciais, do “faz silêncio menino", do “senta Joãozinho”. Mas, a escola vai vencer essa fase, os professores irão superar e a família será mais parceira da escola. E claro, esperamos valorização do trabalho dos professores e professoras por parte dos donos de escolas. A valorização e respeito vem com remuneração digna, boas condições de trabalho, e sem assédio moral.
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Muito bom ! Isso tudo vai passar! 👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽
ResponderExcluirVai sim! Se todos praticarem a empatia, será menos traumático aos envolvidos.
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